Transporte rodoviário internacional: crise econômica provocou o desaparecimento de fornecedores do s


Muitos motoristas autônomos e empresas de pequeno e médio porte não resistiram à crise, diz um dos entrevistados. Com isso, a oferta de veículos X demanda de cargas ficou totalmente desequilibrada. O Brasil, em virtude de sua situação geográfica, mantém historicamente acordos de transporte internacional terrestre, principalmente rodoviário, com quase todos os países da América do Sul. Com a Colômbia, Equador, Suriname e Guiana Francesa o acordo está em negociação – é o que informa o site da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres.

O Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre entre os Países do Cone Sul, que envolve os

transportes ferroviário e rodoviário, inclui Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru, Paraguai e Uruguai, também de acordo com a ANTT. Entre Brasil e Venezuela refere-se apenas ao transporte rodoviário. O mesmo ocorrerá com a negociação que está em andamento com a Guiana.

O Mercado Comum do Sul – Mercosul absorveu o Acordo de Transportes do Cone Sul e já se atingiu estágio mais avançado, com a negociação e adoção de normas técnicas comunitárias. Complementarmente aos acordos básicos citados, têm sido estabelecidos acordos específicos no Mercosul, como o de Transporte de Produtos Perigosos e o Acordo sobre Trânsito.

“A Nuno Ferreira, como agente de carga internacional, trabalha com vários setores da economia, principalmente para indústrias dos ramos alimentício, químico, farmacêutico e de bens de capital, tanto na importação como na exportação, entre Brasil, Chile, Argentina e Paraguai”, conta José Romão, gerente de Pricing da Nuno Ferreira Cargas Internacionais (Fone: 11 2174.1000). Ele destaca, ainda que todos esses produtos exigem cuidados especiais, principalmente o maquinário que atenderá as linhas de produção, maior volume transportado pela empresa, que possui placas eletrônicas sensíveis, que não podem sofrer avarias.

Já o Grupo TGA (Fone: 11 3464 8181) atende todos os países do Mercosul, sendo seu principal diferencial a consolidação de carga rodoviária internacional no regime de Trânsito Aduaneiro (MIC – DTA), “que garante ao mercado menor transit time e custos reduzidos entre os países signatários”, conta Adilson Santos, CEO do Grupo. Ele também lembra que os veículos do Grupo estão habilitados e equipados para atender a todos os tipos de cargas secas, químicas e especiais, em rotas de ida e volta Brasil-América Latina.

Pátio de carregamento do Grupo TGA, em Osasco/SP - embarque internacional de carga fracionada

Santos coloca que as cargas químicas exigem expertise e atenção quanto ao manuseio e transporte, pois existem tipos de mercadorias que, manuseadas incorretamente, podem causar danos incalculáveis à saúde humana e ao meio ambiente. Igualmente, porém com risco totalmente diferente, está o transporte de carga sobredimensionada, que exige planejamento prévio e expertise na operacionalização, em todas as etapas do processo.

Problemas

Sobre os maiores problemas enfrentados no transporte rodoviário internacional hoje, Romão, da Nuno Ferreira, acredita estar nas questões legais, de investimento público em infraestrutura e, principalmente, nos altos custos em geral, como combustível, pedágio, manutenção dos veículos. Também podem ser citadas as constantes greves dos agentes aduaneiros, impactando em despesas extras de armazenagem e estadia pelo fato de os veículos ficarem parados nas fronteiras. “Estas questões poderiam ser solucionadas com investimentos no setor, maior empenho do governo em manter os serviços públicos estáveis, sem paralisações, e redução da burocracia no comercio exterior”, diz o gerente de Pricing.

Santos, do Grupo TGA, por sua vez, diz que, no cenário atual de crise, notaram o desaparecimento de fornecedores de transporte, gerando, assim, uma demanda muito mais alta do que a disponibilidade de equipamentos/transportadoras. “Entendemos que somente uma reestruturação do setor e o consequente surgimento de novos players poderão ser capazes de equilibrar a demanda x oferta”, diz o CEO do Grupo TGA.

Adilson Santos, CEO do Grupo TGA

Ainda a propósito dos efeitos da crise econômica brasileira no segmento de transporte rodoviário de cargas, Santos diz: “A crise econômica que assola o nosso país não poupou nenhum setor da economia, mas, sobretudo o nosso segmento de transporte rodoviário nacional e internacional. Muitos motoristas autônomos e empresas de pequeno e médio porte não resistiram. Com isso, a oferta de veículos X demanda de cargas ficou totalmente desequilibrada”.

Romão, da Nuno Ferreira, também coloca que a crise obrigou as empresas a enxugarem custos e margens de lucros, através de redução de pessoal e veículos da frota, afetando a frequência de manutenção dos mesmos e o investimento em novos equipamentos. Devido a isso – continua o gerente de Pricing –, muitas empresas deixaram de atuar por falta de gestão dos custos e, consequentemente, perda de competitividade.

Nesta situação de mercado, também vale a colocação do relacionamento entre embarcador e fornecedor. Como ele poderia ser melhorado?

“Os dois chegarem a uma relação de equilíbrio de preço, onde ambos ganhem com a operação e fiquem satisfeitos com os resultados e a performance”, diz Romão, da Nuno Ferreira, ao passo que Santos, do Grupo TGA, destaca: planejamento logístico de longo prazo, com a consequente fidelização do fornecedor de transporte pelo embarcador.

Novo serviço do Grupo TGA garante saídas de carretas para o Mercosul a cada 24 horas

Veículo syder da TGA, na rota dos Andes, rumo ao Chile

O Grupo TGA acaba de lançar o Consolido.com.br, serviço através do qual o Grupo garante saídas, a cada 24 horas, para todos os destinos no Mercosul, de carretas apropriadas para o transporte de cargas secas, onde o embarcador poderá reservar até 1/3 do espaço do veículo para sua mercadoria, “garantindo-se, assim, que no mínimo três embarcadores conseguirão fazer seus envios ao exterior de forma contínua e eficaz e com custos extremamente reduzidos, pois estarão compartilhando o espaço do equipamento com outros embarcadores”, explica Santos. Ele também conta que o serviço foi desenvolvido para solucionar as dificuldades que os embarcadores de cargas de lotação no modal rodoviário vêm enfrentando atualmente com a falta generalizada de equipamentos para o transporte de seus produtos para o Mercosul. O serviço atende todo o mercado de carga seca que se utiliza do transporte rodoviário no Mercosul.

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